AnsiaMente

Sobre coisas irritantes e inquietantes

Uma passagem de ano sem pressões

Ano novo em casa

Crédito: arquivo pessoal

Por Carmen Guerreiro

Nesta passagem de ano quis fazer algo diferente. Algo que nunca tinha feito. Algo ousado. Algo que já cheguei a pensar que nunca faria na vida. Eu decidi passar, pela primeira vez, o ano novo na minha casa. Só eu e meu marido, sozinhos. Sem produções, sem planos, sem superstições, sem pressão. E quer saber de uma coisa? Foi o melhor ano novo da minha vida.

Não comprei roupa especial para a virada. Pensei no que vestiria às 22h, depois de sair de uma ducha gelada. A ideia da ceia de ano novo foi abortada na manhã do dia 31. “Não vamos esquentar com isso”, eu disse, apesar de nós dois adorarmos cozinhar. Esquentamos uma massa caseira que estava na geladeira e fizemos um molho de 10 minutos. Para beber, tiramos da última prateleira da geladeira o espumante que ocupava o lugar havia dois anos, desde que o compramos de um pequeno produtor de vinhos na nossa lua de mel em Gramado. Não foi planejado, mas ele estava ali. Quando fomos tomar, ele não era mais um espumante. Tomamos mesmo assim. Já imaginei minha mãe falando para mim, como sempre fala, que eu não deveria deixar os vinhos tanto tempo em casa sem tomar (ela de fato repetiu isso depois).

Ficamos comendo e conversando até 23h40, quando procurei no celular um aplicativo que tivesse a contagem regressiva para o ano novo e instalei. Deixamos a tela à mostra e decidimos na hora colocar, música após música, aquelas que marcaram nosso ano. “Tem aquela!” “Putz, tem essa também!” E, enquanto pulávamos e dançávamos na sala, pensávamos em resoluções para 2014 e corríamos para anotar. Quando lembrei do timer do celular, liguei a tela a tempo de ver 4, 3, 2, 1… E 2013 foi embora.

Pulamos, gritamos, dançamos, nos abraçamos, giramos como crianças no quintal enquanto o vizinho de dois andares acima, de quem eu nunca havia ouvido mais de cinco palavras e que nunca responde meu “bom dia”, gritava da janela frases de catarse que só momentos como o Reveillon são capazes de arrancar das pessoas. Gargalhamos e voltamos para dentro.

Em resumo, sem medo de repetir, foi o melhor ano novo da minha vida. Não vi fogos, não viajei, não pulei ondas, não estourei champanhe na virada, não comprei roupa especial, não fui dormir só de manhã. Sem pressões. Rituais e tradições podem ser divertidos, mas não quando nos pressionam para agir sempre de determinada maneira, de uma maneira que não pensamos, só reproduzimos algo porque achamos que “tem que ser” daquele jeito.

Recusei dois convites tentadores de viagens e também a sugestão de amigos de passarmos a virada juntos em São Paulo, onde moro. “Vamos passar sozinhos em casa”. “Mas por quê?”, eu ouvi diversas vezes. Os outros pareciam não se conformar com nossa decisão. E não nos arrependemos. No fim, como disse ao meu marido, agora não podemos nos pressionar para superar esse ano novo (ou tentar torná-lo uma tradição). Por mais espontaneidade em 2014 e em todos os próximos anos.

Além do motivo óbvio, escrevo esse post porque a ideia de criar o AnsiaMente surgiu em um ano novo, de 2011 para 2012. Logo mais, o blog completa dois anos! Minhas resoluções de 2014 para o AnsiaMente são: novo layout e mais posts (quinzenal, pelo menos). E, é claro, espero que você continue por aqui. Feliz ano novo!

Conte sobre os gostos e desgostos da sua passagem de ano aqui.

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Publicado em 02/01/2014 por e marcado , , , , , , , , .
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