AnsiaMente

Sobre coisas irritantes e inquietantes

Que tal ocuparmos o espaço público?

Por Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Certo fim de semana, eu e meu marido decidimos fazer um passeio que há tempos queríamos fazer: ir a pé até o centro histórico de São Paulo registrando detalhes da cidade com uma máquina fotográfica.

A empolgação venceu até o medo da chuva, mas quase foi apagada pelo medo de que levassem minha câmera. Porque acreditamos que as pessoas precisam ocupar melhor os espaços públicos e se apropriar da cidade, nos mudamos para o centro da capital paulista contra todos os conselhos e opiniões da nossa família e dos amigos da classe média. “Mas é sujo”, “mas é perigoso”, “mas é feio”, “mas tem muito trânsito”. Tentaram de tudo.

Durante o passeio, fiquei tensa em diversos momentos. Não à toa. De fato, todos nos encaravam na rua como se fôssemos de outro planeta por estarmos tirando fotos da cidade. Mas voltamos para casa com ótimas fotos, e pretendo voltar outras vezes. E mais: como ando todos os dias no centro até o metrô para trabalhar, passei a reparar em mais detalhes da cidade que eu gostaria de fotografar em outras oportunidades.

Mas a solução para o medo não é se enfurnar em shopping centers, condomínios e carros blindados. É ocupar a cidade e seus espaços públicos. Foi contra esse medo que lutei na hora de sair de casa com a câmera fotográfica. E fico feliz que minha vontade tenha superado esse sentimento sufocante de ser refém das hostilidades urbanas.

Ironicamente, o que mais registrei naquele fim de semana foi a degradação dos espaços públicos, justamente por serem mal aproveitados pelas pessoas. Na volta, inspirados pelo passeio, começamos a rabiscar em um caderno problemas dos espaços coletivos de São Paulo e possíveis soluções que nós – as pessoas que moram na cidade – podemos providenciar ou solicitar ao poder público ou à iniciativa privada.

E se houvesse mais floreiras e árvores? E se as pessoas pudessem sentar em bancos na rua? E se as lixeiras fossem mais resistentes? E se fossem permitidos grafites e jardins verticais nos paredões pichados e descascados? E se as fachadas fossem mais bonitas? E se os “food trucks”, ideia que explodiu nos Estados Unidos, fossem regularizados por aqui? E se houvesse áreas com mesinhas e cadeiras para que as pessoas comessem, estudassem, trabalhassem e jogassem ao ar livre? E se fosse seguro andar de bicicleta nas ruas?

O centro de São Paulo continua sujo e, sim, requer atenção redobrada em relação à segurança (mas feio, nunca!). De qualquer forma, é empolgante perceber que o centro de nossa cidade é um retrato de como cuidamos mal de onde moramos e de como essa realidade também está em nossas mãos. É muito simples: precisamos nos apropriar do espaço que, na teoria, já é nosso.

Você já deixou de fazer algo na sua cidade por medo? Quais são suas sugestões para deixar sua cidade mais agradável e para se apropriar dos espaços públicos? Opine aqui. Veja mais fotos que tirei naquele fim de semana:

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

 

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

 

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

 

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

 

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

 

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

 

Crédito: Carmen Guerreiro

Crédito: Carmen Guerreiro

Anúncios

Informação

Publicado em 11/10/2013 por .
%d blogueiros gostam disto: